sexta-feira, 25 de abril de 2014
sexta-feira, 18 de abril de 2014
sábado, 15 de março de 2014
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
A GUERRA DE LOB
(..) Foi acordado por um
movimento repentino nas suas costas. Um saco, uma mala de senhora caia no seu
colo.
– Desculpe, ouviu Lob da boca
bem desenhada da jovem que continuou preparando a bagagem para a saída do
comboio.
O comboio apitou lá na frente dando indicação da
breve chagada à estação. A mãe (?) da jovem com a maleta na mão dirigia-se para
a saída quando ela aceitou das mãos de Lob o saco-mala que antes lhe lançara no
colo. Pegando no saco, que Lob lhe devolvia, com olhar doce, lindo, e lábios
rosados, húmidos, deixou-lhe na mão um pedaço de papel correndo para a porta de
saída do comboio que acabava de parar na estação.
Lob abriu a janela e viu muitas
fardas verdes que acabavam de sair do comboio e entre elas uma “mãe” e uma
filha de cabelos negros que para ele olhava fixamente… Com tristeza… Muita
tristeza.
Lob não deixou de seguir,
enquanto foi possível, os passos daquelas duas mulheres que abandonavam agora a
estação do caminho-de-ferro de Castelo Branco. Castelo Branco de recordações.
Onde andaria o Quelhas perguntou-se sem deixar de olhar a jovem de lábios
rosados, húmidos.
Apitando três vezes o comboio
zarpou em direcção à Gardunha e aos túneis que, diziam alguns visionários no
seu tempo de estudante na zona, tinha no seu interior “extra-terrestres”. A
janela continuava aberta na noite. O ar era fresco. A lua cheia dominava o céu.
Lob desdobrou o papel que a jovem lhe deixara. Uma vez. Outra vez. E leu numa
caligrafia visivelmente rápida, nervosa. ANA PAULA telefone 478… e mais três
números seguidos de …tua madrinha de guerra...
Lob olhou a noite. Lob fixou a lua poisada no cume da serra. O comboio
entrou no primeiro túnel da Gardunha e a janela aberta deixava entrar o som
cavo e intimista das entranhas da montanha. (…)
[Lobo Mata, em a “Guerra de Lob”
1ª Edição: Julho,2012. Editora: Chiado Editora]
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
NO RASTO DA DRAGA
(Capitulo:
5.1.2. Extração mineira e produção agrícola
transformação
da estrutura produtiva e semi-proletarização)
Por
Pedro Gabriel Silva, em “No Rasto da Draga- exploração mineira e
protesto popular numa aldeia da Beira Baixa (1912-1980)” 1ª
Edição:2013. Editora: 100LUZ – Castro Verde (Portugal)
Etiquetas:
cassiterite,
estanho,
Minério,
Wolfrâmio
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
ESTÓRIAS DO MONDEGO
(…) Entre a Quinta da Taberna e o
Covão da Ponte, repousa um lugar coberto de campos de centeio. Em Nossa Senhora
da Assedasse, o vento é aroma de distância. Uma pequena capela descansa rodeada
de nada e de tudo. Campo a perder de vista, destinos e horizontes maiores a
serem arquitectados no olhar dos pastores. É ver rostos a congeminar fugas.
Em
volta da capela, faz-se a romaria das ovelhas, para polvilhar a sorte. Abençoar
vida ruim. A romaria é confirmação. O que aqui está é a vida e daqui apenas se
foge com o olhar. Tilintam os chocalhos e o rio corre sem sobressaltos,
exceptuando dias de cheias, em que toma outra vida.
Os caminhos com sabor a terra estendem-se rumo
ao Covão da Ponte. Nas encostas do Vale de Manteigas, José Martins Sabugueiro
partilha com o ar viagem doce. Nas horas menos irrequietas, solta o pensamento
e segue rumo a lugares sem fronteira. Mas vida de pastor é estar alerta. Os
rumos desenhados com o olhar têm hora limitada. A sua voz há-de cobrir todos os
dias estas encostas. “Eh anda cá, Já estás com pressa”. O cajado rompe no ar,
sempre que alguma ovelha envereda por rumo proibido.
José
Sabugueiro é José Paisana. É assim, que é conhecido nestes lugares que já lhe
pertencem. Nasceu na década de 40, época em que o destino chegava cedo demais.
Apesar de ter estudado até à quarta classe, tinha 16 anos quando começou a
guardar o gado, definitivamente. Haveria ainda de passar pela Guiné-Bissau,
entre os anos 65 e 70. Tempos que não lhe deixam saudade.
Da memória
esburacada pelo tempo, José Paisana guarda sobretudo manhãs de inverno. Mantas
sobre o corpo, e pés que não conhecem descanso. O cajado na mão enterra-se na
terra a ajudar o caminho. (…)
[Capítulo 1/ Catarina Pinto, fls.33/34]
In “ESTÓRIAS DO MONDEGO”
escrito por Catarina Pinto, Catarina Perlhaz, Raquel Carvalho, Joana Moura e
Mariana Pardal, com a coordenação de João Figueira, docente da FLUC, e reportagem
fotográfica de Carlota Ribeiro, Raquel Carvalho, Gonçalo Ermida, Joana Moura e
José Pedro Fernandes, Edição: Ideias Concertadas
sábado, 21 de dezembro de 2013
Subscrever:
Mensagens (Atom)



