sábado, 24 de maio de 2008

terça-feira, 20 de maio de 2008

Cântico Negro

Lembrar José Régio/João Vilaret

sábado, 17 de maio de 2008

Acordo Ortográfico

Acordo (ortográfico) sem acordarmos todos. Eu durmo, preparo-me para acordar… Isto do Acordo Ortográfico é uma “tempestade num copo de água” ou um copo de água numa tempestade?

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Fumaças!...

Neste pedacito de terra, a vida custa os olhos da cara,ministros sorriem, fretam um avião e fumam à revelia da Lei… Quando for grande e fumar, hei-de também fretar um avião, darei umas fumaças e olharei cá para baixo com desdém. Depois com inocência pedirei desculpa e… alguém dirá: metam-lhe um dedo na boca a ver se morde!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

HOJE É MAIO. E AINDA EXISTIMOS...



40 anos depois de Maio de 68, o que nos ficou?...

Simplesmente palavras que encantavam (e que nos faziam acreditar que a utopia era possível): “Sejam realistas, peçam o impossível”; “A imaginação ao poder”; “É proibido proibir”.

O que nos conforta: Que o ódio Sarkozyano não basta para enterrar a herança daquele movimento estudantil – cerca de 75% dos franceses têm opinião favorável e 68% estariam ao lado dos estudantes se tivessem vivido naquela altura.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Quanto mais negra é a noite...


Quanto mais negra é a noite, mais perto está a alvorada”

(Aung San Suu Kyi, Prémio Nobel da Paz, 1991)

sábado, 12 de abril de 2008

O PÃO


O PÃO

Disse-te, Platero, que a alma de Moguer é o vinho, não foi? Não; a alma de Moguer é o pão. Moguer é como um pão de trigo, branca por dentro, como o miolo, e dourada à volta – oh, sol moreno! – como a branda côdea.
Ao meio-dia, quando o sol queima mais, a aldeia inteira começa a fumegar e a cheirar a pinheiro e a pão quente. Abre-se a boca a toda a aldeia. É como uma grande boca que come um grande pão. O pão vai bem com tudo: com o azeite, no gaspacho, com o queijo, com as uvas, para dar sabor a um beijo, com o vinho, com o caldo, com o presunto, com ele mesmo, pão com pão. Também sozinho, como a esperança, ou com uma ilusão…
Os padeiros chegam a trote nos seus cavalos, param a todas as portas meio abertas, batem as palmas e gritam “Padeeeeeirooooo!”… Ouve-se o ruído meigo dos pães que, ao cair nos cestos, que braços nus levantam, chocam com os bolos, das fogaças que chocam com as roscas.
E logo os meninos pobres chamam às campainhas das cancelas ou às aldrabas dos portões, chorando longamente lá para dentro: Um bocadinho de pão!...

(Juan Ramón Jiménez, Platero e Eu, Edições Cotovia, Lda., 2007)