sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Um outro olhar!

Lisboa - Portugal/1965 "(...) Alguém há-de ter a seu cargo a tarefa de manter activa a relação entre os homens e o íntimo coração das coisas (...)" (Fotografia de Eduardo Gageiro, texto de Lídia Jorge, in SILÊNCIOS, Nov.2008)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Palavras ditas...

OUVINDO UMA MÃE

NO CASAMENTO DO SEU ÚLTIMO FILHO

EMIGRANTE NO LUXEMBURGO

para o Ortil

Amar

os campos

e o homem

parir

os filhos

para o estrangeiro

e

esperar

que a terra

se abra

para

enterrar

o que resta.

(Desenho de A.Paiva; poema: in O Fio da Palavra, António Barbosa Topa,Edições ACAP77-Dammarie-Les-Ys - França.)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

António Aleixo

Sei que pareço um ladrão… Mas há muitos que eu conheço Que, sem parecerem o que são, São aquilo que eu pareço.
(António Aleixo, in Este livro que vos deixo, 3ª. Edição.1975)

Pássaros e… outros passarões

Eles andam aí… Lavadinhos, perfumados, elegantes – não parecem o que são! E então … lembro-me de António Aleixo.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

ONTEM

Dissemos: "Tristezas não pagam dívidas". E houve alegria, prendas, champanhe, fogo-de-artifício. Hoje, Dizemos: "Haja saúde e coza o forno". E temos "foguetes de lágrimas": Desemprego, recessão… Quando diremos: "Vamos arregaçar as mangas..."

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O meu Natal de arroz!

No centro da cozinha, sobre a pedra granítica que foi mó de moinho, as torgas estavam ao rubro. Pendente nas cadeias que desciam do caniço, a caldeira do arroz-doce esperava pelo calor final. Estava quase. As emoções de que hoje me fala Ferran Adriá já habitavam o meu corpo: Ao rubro estava também a minha boca. A impaciência para provar o arroz consumia-me. E aquele Natal vinha mesmo a calhar. A última vez tinha sido na festa de São Miguel . Nos potes havia mel e azeite: Nas arcas, farinha e grão de milho e centeio. Havia leite e ovos. Mas, por vezes, não havia carteira. O tempo também era outro e duro. Naquele Natal, o arroz-doce era a meias com a prima Rosário. Pronto, chegara a hora de distribuir aquele mimo pelos pratos. Um seria para ser provado: por nós, eu e minhas irmãs, e pela prima Rosário. Com o prato ímpar na mesa, estava tudo a postos. Cada um com a sua colher e… de repente, no silêncio escuro da noite, alguém começou a cantar as Janeiras, ali ao pé da porta (na aldeia habitualmente as Janeiras eram cantadas nas antevésperas do Natal até ao dia de Reis). Não havia sol, não havia lua e os presidentes ainda não tinham “dado à Luz” – logo a escuridão era total. Mas, mesmo assim, a Rosário e duas das minhas irmãs correram para a janela “para dar fé”, pois de certeza que não conheceriam ninguém. Eu e a minha irmã mais nova ficamos na mesa e, com serenidade, começamos a provar o arroz, com tal empenhamento e concentração na prova que, alguns segundos depois, quando a excursão voltou da janela, o prato de arroz-doce já era… A prova ficara feita! Para prova já não haveria mais. Daí em diante só a matemática…

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Natal