Lisboa - Portugal/1965
"(...) Alguém há-de ter a seu cargo a tarefa de manter activa a relação entre os homens e o íntimo coração das coisas (...)"
(Fotografia de Eduardo Gageiro, texto de Lídia Jorge, in SILÊNCIOS, Nov.2008)
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Um outro olhar!
Lisboa - Portugal/1965
"(...) Alguém há-de ter a seu cargo a tarefa de manter activa a relação entre os homens e o íntimo coração das coisas (...)"
(Fotografia de Eduardo Gageiro, texto de Lídia Jorge, in SILÊNCIOS, Nov.2008)
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Palavras ditas...
OUVINDO UMA MÃE
NO CASAMENTO DO SEU ÚLTIMO FILHO
EMIGRANTE NO LUXEMBURGO
para o Ortil
Amar
os campos
e o homem
parir
os filhos
para o estrangeiro
e
esperar
que a terra
se abra
para
enterrar
o que resta.
(Desenho de A.Paiva; poema: in O Fio da Palavra, António Barbosa Topa,Edições ACAP77-Dammarie-Les-Ys - França.)
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
António Aleixo
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
ONTEM
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
O meu Natal de arroz!
No centro da cozinha, sobre a pedra granítica que foi mó de moinho, as torgas estavam ao rubro. Pendente nas cadeias que desciam do caniço, a caldeira do arroz-doce esperava pelo calor final. Estava quase. As emoções de que hoje me fala Ferran Adriá já habitavam o meu corpo: Ao rubro estava também a minha boca. A impaciência para provar o arroz consumia-me. E aquele Natal vinha mesmo a calhar. A última vez tinha sido na festa de São Miguel . Nos potes havia mel e azeite: Nas arcas, farinha e grão de milho e centeio. Havia leite e ovos. Mas, por vezes, não havia carteira. O tempo também era outro e duro. Naquele Natal, o arroz-doce era a meias com a prima Rosário. Pronto, chegara a hora de distribuir aquele mimo pelos pratos. Um seria para ser provado: por nós, eu e minhas irmãs, e pela prima Rosário. Com o prato ímpar na mesa, estava tudo a postos. Cada um com a sua colher e… de repente, no silêncio escuro da noite, alguém começou a cantar as Janeiras, ali ao pé da porta (na aldeia habitualmente as Janeiras eram cantadas nas antevésperas do Natal até ao dia de Reis). Não havia sol, não havia lua e os presidentes ainda não tinham “dado à Luz” – logo a escuridão era total. Mas, mesmo assim, a Rosário e duas das minhas irmãs correram para a janela “para dar fé”, pois de certeza que não conheceriam ninguém. Eu e a minha irmã mais nova ficamos na mesa e, com serenidade, começamos a provar o arroz, com tal empenhamento e concentração na prova que, alguns segundos depois, quando a excursão voltou da janela, o prato de arroz-doce já era… A prova ficara feita! Para prova já não haveria mais. Daí em diante só a matemática…