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25 de Abril 1974
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sábado, 11 de abril de 2009
terça-feira, 7 de abril de 2009
NO RELÂMPAGO QUE RASGA, SECANTE

NO RELÂMPAGO QUE RASGA, SECANTE
Se pudesse encontrar dos olhos o olhar leve
E imperceptível que hoje se abriu ao longo do rio, na margem,
Imagem
Única e inacessível ao espaço deste corpo breve
Se o teu caminho seguisse pelos passos que no chão gravaste em arte
Com o coração a bater de Brel a música e o compasso
Espaço
Teria, infinito, onde possível, possível fosse poder amar-te.
Não quiseste que assim acontecesse, pelo acaso, por ser destino, por estar determinado
Ou para que eu rodasse, enlouquecesse, perdido, na cor do sol, amarela
Mas porquê hoje, nesta tarde, sem razão, p’lo destino, pelo fado?
E afinal fugiste no relâmpago que rasgou secante
Para que ficasse banhado de ténue sombra de aguarela
Sem olhar leve, sem corpo breve, sem voo que cante.
(José-Alberto Marques*, Hiperlíricas, © Campo das Letras – Editores, S.A., 2004)
*Meu professor de português nos anos (19)60 – na Escola Técnica Campos Melo da Covilhã.