
eu te SONETO
tardiamente
tardiamente
(a Albertine Sarrazin)
“Tu n’es même pas sûre de posséder ta petite
robe ni tes pieds nus dans tes sandales
Ni que tes yeus soient bien à toi, ni même
leur étonnement
Ni cette bouche carnue, ni ces paroles
retenues”
JULES SUPERVIELLE
“Tu n’es même pas sûre de posséder ta petite
robe ni tes pieds nus dans tes sandales
Ni que tes yeus soient bien à toi, ni même
leur étonnement
Ni cette bouche carnue, ni ces paroles
retenues”
JULES SUPERVIELLE
o resultado da terra no corpo albertine
como se perseguisses uma letra o sol
ou um problema sem música terrível
na exactidão em que se esconde
livre a estrada a cama o alfabeto
o apoio tentas numa escada num silêncio
na cidade seguinte onde os homens belos
defendem as mãos cheias de países
sob um tecto de vento dormes a erva
corre para alcançar os olhos no ar
e na parede o calendário transporta
um corpo igual ao teu a morte técnica
anterior a ti (a nós) mas já numa cidade
os homens preparam os números o calor
como se perseguisses uma letra o sol
ou um problema sem música terrível
na exactidão em que se esconde
livre a estrada a cama o alfabeto
o apoio tentas numa escada num silêncio
na cidade seguinte onde os homens belos
defendem as mãos cheias de países
sob um tecto de vento dormes a erva
corre para alcançar os olhos no ar
e na parede o calendário transporta
um corpo igual ao teu a morte técnica
anterior a ti (a nós) mas já numa cidade
os homens preparam os números o calor
(Manuel da Silva Ramos - escritor, publicado no Suplemento do Diário A Capital "Literatura & Arte" em 26/08/1970)
2 comentários:
Sobralfilho, tens de me dizer onde guardas estas coisas...
Um abraço
Zef, algures na gaveta da coisas arco-da-velha…
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