
Marina Tsvetáeva
SIBILA – AO RECÉM NASCIDO
Aperta-te ao meu peito
Meu menino:
Nascer é uma queda nos dias.
Das rochas de além-nuvens, de nenhures,
Que baixo caíste,
Meu menino!
Eras espírito, pó te tornaste.
Chora, meu menino, por eles, por nós:
Nascer é uma queda nas horas!
Chora, meu menino, no futuro e além:
Nascer é uma queda no sangue,
No pó,
Nas horas…
Onde os clarões dos milagres?
Chora, menino: o nascer para o peso!
Onde as jazidas da generosidade?
Chora, meu menino: o nascer para a conta,
Para o sangue,
Para o suor…
Mas hás-de erguer-te! O que no mundo se chama
Morte – é queda no firmamento.
Mas verás! O que no mundo – se diz pálpebras
Cerradas – é nascer para a luz.
Do agora –
Para o sempre.
A morte, pequeno, não é dormir, é erguer-se,
Não é dormir, é regressar.
A nado, pequeno! Já um degrau
Foi galgado…
- Ascensão para o dia.
(Marina Tsvetáeva, Depois da Rússia, 1922-1925, Relógio d’Água Editores, Novembro 2001),
Aperta-te ao meu peito
Meu menino:
Nascer é uma queda nos dias.
Das rochas de além-nuvens, de nenhures,
Que baixo caíste,
Meu menino!
Eras espírito, pó te tornaste.
Chora, meu menino, por eles, por nós:
Nascer é uma queda nas horas!
Chora, meu menino, no futuro e além:
Nascer é uma queda no sangue,
No pó,
Nas horas…
Onde os clarões dos milagres?
Chora, menino: o nascer para o peso!
Onde as jazidas da generosidade?
Chora, meu menino: o nascer para a conta,
Para o sangue,
Para o suor…
Mas hás-de erguer-te! O que no mundo se chama
Morte – é queda no firmamento.
Mas verás! O que no mundo – se diz pálpebras
Cerradas – é nascer para a luz.
Do agora –
Para o sempre.
A morte, pequeno, não é dormir, é erguer-se,
Não é dormir, é regressar.
A nado, pequeno! Já um degrau
Foi galgado…
- Ascensão para o dia.
(Marina Tsvetáeva, Depois da Rússia, 1922-1925, Relógio d’Água Editores, Novembro 2001),
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